Análises
Review Ghost Of Tsushima – Ilha de Iki
O novo capítulo de Ghost of Tsushima complementa a jornada de Jin de uma forma essencial
A dúvida se teríamos na versão Director’s Cut a sensação de continuar numa experiência já completa anteriormente não se confirmou, a expansão da Ilha Iki de Ghost of Tsushima se mostra com muita propriedade como parte integrante do jogo de ação de mundo aberto de Sucker Punch, e mesmo sabendo que é um conteúdo recém adicionado ao jogo, o sentimento que tivemos é que poderia ter estado lá desde sempre no jogo base tamanha sincronia e intensidade ao qual ela continua a jornada de Jin Sakai.
Sua inclusão traz uma nova profundidade ao protagonista Jin, ao mesmo tempo em que fornece ainda mais do que tornou o jogo como um dos melhores no ano do seu lançamento.
Se inicialmente a gameplay trazia o sentimento de que Jin não teria cumprido as expectativas de sua figura paterna, Lorde Shimura, sua jornada até a Ilha Iki é sobre seu pai biológico, Kasumasa Sakai, não conseguir corresponder às expectativas do seu filho. A expansão dedica muito tempo no arco do personagem de Jin aos sentimentos e arrependimentos sobre as circunstâncias da morte de seu pai, e com isso, a Sucker Punch encontra maneiras de explorar esse evento e seu relacionamento com muito mais profundidade.
A história e como ela se desenvolve nessa expansão, é o ponto forte da experiência que foi proporcionada ao jogador – principalmente se você já é fã de Ghost of Tsushima – mas não é o único ponto, muito do que está disponível no novo conteúdo não sofreu grandes mudanças. Para os confrontos se nota um combate mais rápido contra vários inimigos que requer esquiva mais calculada, bloqueios e ajustes de sua posição de luta no meio de uma batalha; mais alguns quebra-cabeças ambientais de escaladas por castelos ou ao longo de vales para alcançar santuários distantes; contrastando com momentos mais tranquilos de olhares sobre paisagens ou coletando objetos colecionáveis aleatórios. Ilha de Iki não altera o padrão tanto quanto aumenta o escopo de Ghost of Tsushima, embora a expansão também faça algumas adições divertidas ao jogo geral, o que dá um ar de um pouco mais de variedade.
Você pode se aventurar na Ilha Iki depois de ter completado o primeiro ato de Ghost, descobrindo uma vila costeira onde um novo líder mongol envenenou vários habitantes.
A droga psicodélica não mata suas vítimas, mas as leva à loucura, prendendo os personagens em visões dolorosas de seus maiores medos e arrependimentos passados e situações mal resolvidas. Este líder inimigo, uma mulher chamada Águia, tem concentrado suas forças na ilha iki próxima, então Jin parte para impedi-la de avançar e lançar uma nova guerra contra Tsushima.
A chegada de Jin em à Ilha trás um grande contraste com o resto do jogo, esse é um local onde os habitantes não confiam ou são indiferentes aos seus senhores samurais – na verdade, os nativos odeiam todos os samurais, e o clã Sakai em particular. Foi o pai de Jin que liderou uma campanha para pacificar os invasores da ilha, e em uma ligeira recontextualização do passado de Jin, seu pai foi morto durante essa invasão. Dito isso, há uma tonelada de bagagem emocional para Jin trabalhar e interações de caráter intenso para ele ter como ele ajuda os habitantes da ilha, enquanto esconde sua verdadeira identidade indesejadas para os mesmos.
Embora o enredo siga em algumas direções de certa forma previsíveis, ele funciona porque muito foco é colocado nos sentimentos e falhas de Jin enquanto ele trabalha através deles simultaneamente a sua missão, forçado a se reconciliar com um passado que ele tem evitado – mesmo durante grande parte da história original que já o fazia sofrer desde então.
O conflito interno de Jin é colocado á prova por suas interações com a própria Águia.
No início da história de Iki, Jin é capturado e envenenado pelos mongóis que agora tem o reforço dos Sacerdotes Xamãs, e você passará o resto da campanha principal da expansão lutando com visões do passado de Jin, visões essas que podem ser desencadeadas por qualquer coisa, desde ficar sem resistência enquanto corre, ou até mesmo quando ver o cadáver de um animal morto em uma caçada. As visões criam uma fascinante mistura entre os objetivos dos mongóis e as inseguranças pessoais e do passado de Jin e, juntos, dão ao jogo momentos muito oportunos para constantemente lançar flashbacks e o contexto que amplia sua história pessoal.
A Águia trás o sopro delicado e perturbador de uma ótima vilã, embora a campanha principal para a Ilha Iki seja curta rendendo apenas algumas horas. Ao contrário do primeiro vilão Khotun Khan, a Águia está constantemente retratando sua campanha em Iki como benevolente, e fazendo ofertas repetitivas a Jin para o converter ao seu rebanho tentando abrir sua mente para novas possibilidades. Os itens de lore espalhados por toda a ilha e as missões secundárias que você pode completar adicionam à imagem um fervor quase religioso em torno da Águia, o que faz a jornada pela Ilha Iki se mostrar um pouco diferente de apenas outra luta com outro grupo de mongóis revoltados e muito bravos.
Os inimigos são, na verdade, apenas mais um grupo de mongóis, não se pode esperar grandes alterações nos combates. De toda forma a expansão adiciona alguns novos truques ao seu arsenal, sendo a principal delas na minha opinião a carga do cavalo, que permite apertar um botão enquanto é montado e aplicar uma investida pra cima dos inimigos que estão a pé. É um movimento muito interessante que deixa até a dúvida de porque ainda não tinha na primeira versão do jogo, ele permite que você inicie uma luta atacando de uma só vez todos os inimigos, e uma vez que você obter os recursos para atualizá-lo, encontrar a armadura opcional de cavalo durante uma das principais missões de Iki, torna-se uma estratégia bastante útil às muitas opções de combate já conhecidas de Jin.
Além de engrandecer Jin como personagem, a Ilha Iki faz os olhos brilharem com seu design de ambiente extremamente detalhados e belos, trazendo também alguns quebra-cabeças escondidos. A expansão como um todo é uma paisagem linda em conjunto com o Tsushima, e ela constantemente parece cada vez mais incrível na medida que você a explora. Seus longos e, de certa forma, satisfatórios quebra-cabeças ambientais que surgem pelo caminho, vão muito de encontro com o melhor do que apareceu no jogo base. Um dos principais caminhos faz você procurar por um tesouro perdido fazendo sua rota através de uma frota de naufrágios, e quanto mais longe avançamos na missão, mais imprevisível o oceano se torna. A medida que as ondas batem contra os destroços dos barcos, você não pode simplesmente se arremessar através do espaço como você faz em todos os outros exemplos desses quebra-cabeças, você precisará cronometrar seus saltos e prestar atenção ao seu entorno de forma geral, para que uma onda não bata numa pedra na hora errada e te jogue de volta para a água.
Há muitas atividades de mundo aberto de Tsushima para completar, como haikus e os ataques de bambu, mas também alguns que são exclusivos de Iki, como os desafios de arco e flecha – uma das melhores novidades são os santuários animais.
Esses locais são exatamente o que o nome já ilustra, e em cada um deles tem Jin tocando uma pequena melodia em sua flauta que insere um pouco de um mini jogo de musica para você interagir. Inclinando seu controle para cima e para baixo começará a “combinar” com o tom da flauta, e à medida que você brinca e aprende a melodia, os animais se aproximam para interagir com você. Nenhuma das canções de flauta são tão desafiadoras, mas cada um dos santuários é um momento agradável e contemplativo onde Jin acaricia um gato ou um macaco, dando alguns segundos para o jogador apreciar a paisagem e apenas relaxar. Jin também passa seu tempo nesses lugares relembrando sobre sua mãe, a figura mais relaxada e brincalhona de seus pais quando ele era jovem, então temos ainda mais exploração das bases de seu personagem e seu passado nesses momentos de contemplação.
Tudo o que a Ilha Iki traz para Ghost of Tsushima é muito bom se você já gosta de Ghost of Tsushima. Mas alguns problemas do jogo base permanecem, então se a opinião da Sucker Punch sobre o mundo aberto não te emocionou ou chamou sua atenção como algo positivo antes, não espere que este novo conteúdo te faça mudar de ideia.
Você ainda vai ter dificuldades com a câmera durante o combate, principalmente quando os mongóis vêm cercando Jin por todos os lados. Se tratando da Ilha Iki, é um lugar divertido para explorar e está repleta de muitas atividades e colecionáveis do mundo aberto. pode ter certeza que vai encontrar uma boa quantidade de bandeiras colecionáveis e itens que complementam a história, subir alguns faróis, e testar sua mira em alguns desafios de arco e flecha. Mas nenhuma dessas atividades é inovadora e envolvente comparado ao que já vivenciamos no jogo base.
Onde a expansão da Ilha Iki se destaca, porém, é ao adicionar algumas novas dimensões ao complementar Ghost of Tsushima.
Sua exploração da história de Jin e seu personagem trazem mais profundidade ao conto do jogo base e trás uma melhoria em geral, suas belíssimas novas paisagens fornecem tanto ou mais do que funcionou muito bem na versão base. Não observamos nenhuma mudança drástica, além de alguns retoques leves e pequenas melhorias nas áreas já conhecidas de Tsushima, mas não é algo que poderia ser considerado uma perda de tempo, o que consegue dar mais vida ao já sólido jogo de mundo aberto da Sucker Punch, fornecendo algumas razões interessantes para revisitá-lo uma ou mais vezes na nova geração.