Análises
Death Stranding Director’s Cut : Nossas considerações sobre a versão completa do Kojima
Fala queridos amigos do Playnation Brasil, recebemos a missão de fazer nossas considerações sobre a versão do diretor de Death Stranding da mente brilhante Hideo Kojima.
Ainda tudo o que falarmos nem de perto revela a magnitude do impacto que as obras do Kojima estabeleceram no universo dos games.
Para fazermos uma breve introdução a nossas considerações temos que ressaltar a importância da criação de Kojima no cenário, e tudo começa com METAL GEAR.
Hideo Kojima é um designer japonês de jogos eletrônicos que trabalhou para a Konami, foi vice-presidente da Konami Computer Entertainment Japan e é o diretor-executivo e chefe de estúdio da Kojima Productions, que foi fundada em 2005 e renovada em 2015 por ele.
Hideo é o criador e diretor de várias séries de jogos populares, incluindo a série Metal Gear, Snatcher e Policenauts, além de Zone of the Enders e Boktai. Kojima é constantemente reconhecido por fãs e especialistas da indústria de videogame como um dos mais influentes e inovadores diretores e roteiristas de jogos eletrônicos de todos os tempos.
Metal Gear influenciou o universo dos jogos e como as industrias tiveram uma percepção sobre jogos de espionagem, Kojima sobre tudo é famoso pela forma que narra seus jogos de forma “cinematográfica e enigmática”. Seu primeiro jogo lançado foi Metal Gear, para MSX2. Lançado em 1987 foi um sucesso de crítica, tendo sido aclamado em praticamente todo o mundo, com exceção dos EUA — País este onde o MSX não encontrou espaço comercial devido ao domínio do console de 8 bits NES, (também conhecido como Famicon no Japão).
Em 1990 ele lançou Metal Gear 2: Solid Snake para MSX somente no Japão. Foi muito aclamado no Japão pelo seu modo sofisticado e historia intrincada, já que adicionou muitas mudanças significativas na série Metal Gear, muitas depois levadas a Metal Gear Solid. Foi dada muita importância à caracterização do cast e muita ênfase a historia através das “cut-scenes”, que tratavam sobre os efeitos da guerra. Outras mudanças foram: a melhora na IA, a habilidade de rastejar, a adição do radar entre outras coisas. Apesar do sucesso no Japão, ele foi lançado no ocidente apenas em 2006, como bônus de Metal Gear Solid 2: Subsistance.
Toda esta abordagem de fato é para que possamos entender o peso das produções do Kojima e em Death Stranding não é diferente. O jogo dividiu opiniões e ainda o fazem mesmo depois de ter sido um sucesso. Kojima mais uma vez reinventa a “roda” e trás um jogo nos moldes da estrutura de Metal Gear 5: The Phantom Pain (Como assim?).
Ao passo que você joga Death Stranding você começa a perceber os traços característicos de Kojima já consagradas em MGVPP como correr, abaixar, se esgueirar furtivamente, até mesmo a precisão de combate (quando no uso com a corda) para imobilizar o inimigo, lembrando o famoso Combate de curta distância (CQC).
Kojima aborda um jogo realmente fora da “caixa” e apesar de muitos fazerem memes sobre ser um jogo de entrega ou como chamam de “correios simulator” (O que irá afastar a muitos) o jogo aborda uma temática muito atual, justamente sobre “CONEXÕES”.
O universo de Death Stranding fala sobre um período de devastação após a explosão do misterioso DEATH STRANDING, Sam Bridges vivido nada menos que pelo Norman Reedus terá a árdua missão de unificar o país United Cities of America (UCA) criando conexões entre as bases que restaram, para você entender melhor funciona como Zion da Matrix, o fenômeno arrasou todo o país e as guerras e conspirações separatistas de organizações criminosas levaram ao acontecimento do DS.
A Bridges é uma organização que trabalha justamente para criar estas conexões através de restauração não só de dados como também de transportação de suprimentos e cargas para as cidades que ficaram devastadas, mas por mais que tudo pareça simples é muito mais complexo do que se imagina. Com o avanço da tecnologia a rede controla e fornece uma conexão monstruosa ao qual com seu projeto ambicioso de reconstrução usa monstruosos equipamentos de impressoras digitais que recriam desde estruturas como abrigos, estradas, geradores e etc… Basicamente o intuito aqui é restaurar esta conexão através do fluxo de rede que irá compartilhar dados com estas bases que contém uma população submersa e que estão totalmente dependentes de ajuda e suporte em meio a uma terra desolada.
É ai que entra o nosso personagem Sam Porter Bridges que não tem nada de herói, pelo contrário, Sam não se vê como um e não pretende ser um herói também, Sam tem seus “demônios” e seus problemas sobre sua vida e sua existência, e aqui o papel do Norman é perfeito para dar a vida ao nosso personagem e criar esta situação conflituosa entre ele e o mundo.
OS PERSONAGENS
Aqui nós teremos inúmeros personagens que são a chave para a trama do jogo, dentre eles o diretor Guillermo Del Toro também aparece no jogo, mas sua voz e movimentos foram capturados por outra pessoa, ele é o Deadman um personagem que é essencial para descobrirmos a trama sobrenatural por trás do Death Stranding, ele que estará junto com o Sam para fornecer informações sobre o conceito de “Vida e Morte” pois ao que parece todo este fenômeno envolve uma conexão com outra dimensão que é revelada como a linha entre a vida e a morte citada através das “PRAIAS”.
Existem outros personagens, mas iremos nos manter aqui para evitar maiores spoilers, esta pequena introdução é justamente para você entender que o jogo vai além do PRÉ “CONCEITO” de que se resume em um jogo de correios…
A VERSÃO DO DIRETOR
Quando jogamos a primeira versão no PS4 o jogo já era bonito e bem trabalhado, agora no PS5 o jogo está mais lindo ainda, e também tem sua versão para PC deixando evidente como foi trabalhado para a nova geração.
Na versão do diretor da mente do desenvolvedor de jogos lendário Hideo Kojima, nasce uma experiência que redefine um gênero, agora expandida e remasterizada neste Director’s Cut definitivo, ela contém os seguintes atributos:
– Versão remasterizada para o console PlayStation5 – contendo um combate avançado e do sistema de classificação competitivo inédito.
– Conteúdo expandido – armas e veículos adicionais, novos inimigos e locais inéditos com missões e minijogos extras.
– Novas descobertas – história estendida em uma área ampliada.
– Sistema de cordão social – conexão com jogadores do mundo todo.
Como exatamente funciona esta conexão cooperativa? O jogo aborda um sistema baseado no conceito das REDES SOCIAIS, e aqui literalmente o trabalho de equipe faz a força.
A medida que você vai construindo suas instalações, o jogo oferece um sistema de RANKING onde seu nível de entrega classifica o quão habilidoso você é, isto não é novidade ainda mais no período de pandemia em que vivemos, onde foi o período em que mais precisamos do serviço delivery a saber UBER EATS, IFOODS, AMAZON e etc. E tanto o tempo de entrega quanto a forma como a mercadoria chega para nós é o que determina nossa avaliação para aquela determinada empresa ou entregador, quem pega o UBER nos dias de hoje sabe muito bem como esta classificação funciona, então é exatamente isto que o jogo aborda.
Vale considerar que quando o jogo foi lançado em novembro de 2019, não tínhamos ainda a dimensão do que representava este jogo na visão de Kojima, hoje mais do que nunca tudo faz o maior sentido e vemos que o cara literalmente esta a frente de seu tempo.
MAIS DO QUE UMA CAMINHADA
Aqui Kojima desafia literalmente a física e tenta ao máximo trabalhar com a sensação da “labuta”, da dificuldade em meio a diferentes terrenos, climas, incluindo limites físicos, fenômenos e etc.
A cada vez que Sam parte para uma entrega não se resume simplesmente em colocar a carga nas costas e partir, acredite isto tem um preço muito alto caso você não se preparar adequadamente, cada entrega exige uma administração do que será essencial para você levar na missão, e isto envolve não só sua carga que já é pesada e requer uma atenção pois a condição ao qual ela chegará ao destino determinará sua reputação no jogo. Você ainda tem os eventos que ocorrem na trajetória, como ser atacado pelas “mulas” que são parte uma organização que em meio a escassez e desolação ainda roubam a carga e destroem seus equipamentos bem como são um dos culpados pelo DEATH STRADING.
Você deve se perguntar: “Porque não sair como um RAMBO dando tiro em todo mundo como em METAL GEAR?”
É aí que esta o segredo, você pode, mas isto terá consequências CATASTRÓFICAS, a morte aqui não é uma opção e você entenderá o porque. Você terá em algum momentos armas LETAIS no jogo assim também como armas atordoantes e armas para combate as entidades chamadas EPs.
A munição não é infinita e requer cautela para sua administração, Kojima se preocupou com cada detalhe e como você administraria sua jornada, ao passo que você ganha a confiança das bases e personagens ao qual você efetuará entrega e eles lhes fornecerão novas tecnologias para ajudar em seu avanço. Nesta versão do diretor uma das coisas mais eficientes é o triciclo com bagageiro ou seja o limite de carga é alto, e quanto mais carga você levar mais rank você terá e consequentemente melhores equipamentos.
MODO ONLINE
Como falamos anteriormente o jogo conta com um sistema cooperativo e as pessoas online neste jogo te ajudarão nesta empreitada, isto acontece porque a medida que você avança você ao restaurar as conexões da Rede Quiral do jogo em determinada região isto abrirá o mapa (como em Assassin’s Creed) e com isso você poderá ter acesso a equipamentos e construções de jogadores que estão online, quanto mais você se relaciona com estes jogadores mais reputação você terá, existem armários compartilhados espalhados pelo mapa que terão cargas de outros jogadores que em algum momento perderam suas cargas, e se você pegar estas cargas e entregar elas ao destino você receberá um bônus de recompensa. Como estamos rejogando o jogo nesta versão para o PS5 então tudo parece mais “FÁCIL”, para você chegar a determinadas áreas você precisa construir estradas através do avançado sistema de impressoras Quirais, mas isto não é nada simples, isto exige equipamentos para a impressão destes materiais e você tem que fazer o grinding destes materiais e muitos deles são extremamente pesados e demandam uma grande quantidade para serem levados nas costas, é ai que entra o modo online pois outros jogadores podem iniciar uma construção e você pode completar esta construção e outro jogador pode ajudar a construir também(é como o sistema de SEEDS no dowload torrent) e assim uma comunidade inteira online vai se ajudando no jogo e isto pode ser uma mão na roda.
VEREDITO
O jogo, como mais uma das obras do Kojima, está incrível e não deixa a desejar em nada.
Sua versão do Diretor esta incrível e é um jogo que ainda vai dividir opiniões, pois, se o jogador procura ação como em Call of Duty ou Metal Gear sairá frustrado, esse jogo tem seus momentos de tensão e ação mas seu foco não é essa abordagem, é um jogo sobre exploração e estratégia TATICA (como em metal Gear) mas com uma abordagem diferente que chega a ser “Poética”.
A trilha sonora é incrível, a variação de ambientação entre as regiões é bem crível , você sente cada dificuldade a medida que avança e percebe o quão profunda é a trama do jogo, típico do KOJIMA.
Recomendamos muito a todos que possam ter essa experiência, que aproveitem, vale a pena provar dessa nova visão sobre os jogos que de tempos em tempos surgem através de mentes como a de Hideo Kojima.