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Análise – Need for Speed Unbound

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Com melhorias profundas e toques artísticos ousados a Criterion retorna ao gênero que a tornou famosa nas gerações passadas.

 

Depois de passar a maior parte da última década como um estúdio de suporte para Battlefront e Battlefield, a Criterion Games está de volta com uma aventura de corridas arcade completa. Need for Speed Unbound é um jogo de corrida em mundo aberto com um estilo muito ousado, com efeitos inspirados em arte urbana e modelos de personagens cel-shaded.

Os últimos títulos completos da Criterion Games foram Hot Pursuit e Most Wanted, então Unbound é uma sequencia digna – os novos efeitos visuais são uma adição impressionante ou uma distração indesejável? Além disso, como se comporta o jogo na PS5, Series X e Series S?

Vamos primeiro tentar destacar o básico – resolução e desempenho.

O Series X e o PS5 visam 4K, enquanto o Series S opta por 1440p, mas a escala de resolução dinâmica (DRS) tenta manter 60fps bloqueados diminuindo a resolução interna em momentos mais pesados. O resultado chega até 1800p no PS5 e 2016p no Series X, mas no jogo geral o PS5 está em torno dos 1944p e o Series X possui 4K total (2160p). Enquanto isso, com o Series S chega até aos 1080p, com uma média de 1296p, para ter uma imagem visivelmente mais suave do que os resultados semelhantes a 4K nos demais.

Em termos de desempenho, a situação se inverterá. O PS5 está mais ou menos travado nos 60fps, mas o Series X e o Series S possuem quedas pontuais nas taxas de fotogramas com bastante frequência e quedas mais ocasionais para 51-57fps durante corridas intensas. Dada a resolução média mais alta no Series X, é possível que o DRS possa ser ajustado para aliviar a carga da GPU e resolver essas quedas mais pesadas – e se houver outros problemas, eles devem ser resolvidos. De momento, porém, o PS5 oferece a melhor experiência geral para NFS Unbound.

 

É chamativo e atraente, além de muito bem executado

Alguns efeitos são mais estáticos, a arte 2D esboçada sobre os carros, como asas de anjo que aparecem durante um salto, enquanto outros são efeitos keyframed, como a fumaça dos pneus, que têm uma aparência mais suave e muitas vezes imitam uma aparência cel-shaded. Existia uma preocupação que esses efeitos pudessem ser exagerados a ponto de interferir na gameplay, mas eles são usados com moderação para destacar os principais elementos de jogabilidade, como derrapagem ou colisão com outro veículo – eles adicionam muito impacto ou emoção a um jogo que, de outra forma, pode parecer bastante semelhante a outras franquias de corridas.

A outra novidade visual é o uso de cel-shading para modelos de personagens, com níveis diferentes de sombreamento e um forte destaque, proporcionando uma aparência 3D em relação a outros jogos cel-shaded. A aparência destas personagens agrada, mesmo que às vezes a sua aparência seja estranha quando comparado a uma arte ambiental mais realista. Estes personagens ocupam o centro do palco durante as muitas sequências de cutscenes do jogo, que estabelecem Unbound como um jogo de corrida mais focado na história do que Hot Pursuit e Unwanted.

Need for Speed: Unbound funciona melhor no PS5, com 60fps praticamente travados; no Series X e no Series S, apresentará quedas maiores e mais frequentes para cada dos 50fps.

A identidade visual e a natureza pesada do enredo do jogo é uma questão de gosto, mas a Criterion garantiu pelo menos que os visuais básicos do jogo fossem de alto calibre usando o motor Frostbite da DICE – apesar de não ter nenhum recurso next-gen. Os modelos dos carros e os ambientes convencionalmente sombreados são detalhados, a qualidade da iluminação é forte em todo o mundo aberto com iluminação global que funciona bem mesmo em cenários desafiadores como túneis e viadutos.

Comparado com Need for Speed Heat, as melhorias são profundas e muito perceptíveis.

Heat lutou para produzir resultados convincentes em condições de iluminação indireta e muitas vezes tinha uma aparência “cansada”. Já Unbound produz um resultado sútil e rico em comparação, com bons níveis de ressalto e brilho, esse foi provavelmente o elemento mais fraco dos títulos recentes de Need for Speed e é ótimo ver a Criterion fazendo grandes progressos e aprendendo com suas próprias escolhas.

Além disso, existem outros detalhes de iluminação que impressionam, como o sombreamento preciso na folhagem e os faróis dos carros que projetam duas sombras no ambiente, que convergem e divergem de forma realista. Os recursos ambientais também parecem bons, com modelos de alta resolução, árvores convincentes e detalhes naturais do solo – não está exatamente no mesmo nível de Forza Horizon 5, mas consistentemente entrega uma alta qualidade. O jogo tem um ótimo aspecto quando em movimento, graças ao desfoque de movimento bem ajustado e ao pop-in discreto.

A iluminação indireta mais realista de Unbound é uma grande melhoria em relação a NFS Heat de 2019.

A única reclamação menor que pode surgir refere-se a forma como os reflexos são tratados, recursos que usam uma mistura de cubemaps e reflexos screen-space (SSR). O SSR é usado apenas para as superfícies mais brilhantes (por exemplo, água parada), deixando as ruas escorregadias. Isso significa que os artefatos são raros, mas os reflexos não parecem tão lisonjeiros quanto poderiam ser com o SSR.

Outras queixas incluem boosts de NOS que desativam o desfoque de movimento de uma maneira um pouco perturbadora, o uso excessivo de feixes de luz e objetos menores que simplesmente desaparecem quando atingidos, em vez de se deformarem ou serem substituídos por vários pedaços quebrados.

De uma forma geral, porém, Unbound parece impressionante, especialmente em condições de iluminação indireta, e mesmo achando que muitos gostarão dos floreados estilísticos durante o jogo, eles podem não agradar a todos – e isso também estende-se ao modo de pilotagem, que diverge do trabalho inicial da Criterion para um estilo mais semelhante aos títulos NFS recentes.

As adições artísticas ao jogo são uma questão de gosto, mas eu gosto delas.

Os carros derrapam sem esforço com um toque no acelerador ou travam ao fazer uma curva, mas a derrapagem geralmente vem com uma redução significativa na velocidade e potencialmente também com a perda de controle. A impressão é que o manuseio parece mais satisfatório à medida que o jogador avança e migra para veículos mais rápidos, onde as atualizações do carro desbloqueiam ferramentas para ajustar entre os estilos de drift e grip, mas essa progressão pode ser bastante lenta dependendo do modo de jogo.

Depois de completar o prólogo, o jogador recebe um veículo de classe B fraco, ganhando dinheiro para carros novos e atualizações através de corridas de rua como de costume; mas estes pagamentos relativamente baixos (e altas taxas de inscrição em corridas mais gratificantes) significam que mesmo atualizações menores levam muito tempo para serem alcançadas.

Como resultado, o jogo inicial pode ser um pouco repetitivo, e as longas retas apresentadas em muitas rotas de corrida significam que às vezes não há meios de conduzir além das capacidades do seu carro ou algo que possa compensar um erro inicial.

 

Ainda assim, embora alguns elementos da apresentação do jogo possam não agradar a todos, é um fato que Unbound é um excelente jogo de corrida arcade, a Criterion fez um sólido retorno ao gênero que a tornou famosa, com um jogo NFS que vale a pena jogar.

Além dos problemas ocasionais de desempenho nos consoles Xbox, os gráficos de Unbound são extremamente satisfatórios. E esse não é necessariamente um jogo que ultrapassa os limites já conhecidos para corridas e perseguições, mas apresenta um mundo aberto convincente e bem iluminado com alguns toques artísticos bem ousados.

 

A cópia de Need for Speed Unbound foi gentilmente cedida pela Criterion Games e Eletronic Arts para a realização desta análise.

 

Nota: 7

 

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